
quarta-feira, 14 de abril de 2010
NOITE ESCURA: Definição de Tragédia (I)

segunda-feira, 12 de abril de 2010
Antecipação: "John Carpenter's Ghosts of Mars" de John Carpenter (I)

Não, temos que ser sérios. Ok, novo take: o filme que escolhi para esta distinta caldeirada cinematográfica foi "John Carpenter's Ghosts of Mars" que, caso ainda se estejam a interrogar, é realizado por um dos maiores no ramo. Na análise que me proponho fazer tentarei dar corpo a três ideias que considero fundamentais: a primeira é que "Ghosts of Mars" é um western; a segunda é que "Ghosts of Mars" é um filme político e a terceira é que este é um dos filmes da década que mais desafiam o vector espaço-tempo.
A segunda hipótese, inspirada num texto de Tom Whalen "This is about one thing - Dominion - John Carpenter's Ghosts of Mars", publicado na Film and Literature Quarterly (2002), na folha da cinemateca assinada por Manuel Cintra Ferreira e sobretudo na magnífica entrevista que Carpenter deu aos Cahiers du Cinéma em 2001 (publicarei os meus trechos favoritos em breve), traduz uma tentativa antiga minha de afirmar a singularidade deste filme na obra recente de Carpenter e a sua estreita ligação com a actualidade política norte-americana; logo, internacional; logo, universal, leia-se, interplanetária. Ou seja, Marte está a um passo da Terra, pelo menos, para um dos maiores cineastas vivos.
A terceira hipótese, ligada às anteriores, enforma outras (im)possibilidades: em que medida é futuro o(s) passado(s) que se conta(m) em "Ghosts of Mars" ou não será esta uma das mais arriscadas manobras temporais na obra do realizador; logo, um dos seus filmes mais "modernos"?
Dia 29, às 21h00, no auditório 1, tentarei dar resposta a todas estas questões ou levantá-las de outro modo.
Antecipação: Jia Zhang-ke e Plataforma

Jia Zhang-ke, o realizador de Plataforma (站台), é um dos nomes-chave da chamada Sexta Geração do cinema chinês. Quanto a mim, é provavelmente o mais relevante desses realizadores e um dos, senão mesmo “o”, realizador dos anos 2000. As suas obras concretizam-se num espaço híbrido entre ficção e documentário (talvez em nenhuma esse hibridismo seja tão perfeito como no seu recente 24 City) e mostram-nos faces invisíveis de um país hoje permanentemente nos headlines. A China de Jia é a China que está para lá das extravagâncias olímpicas. E contudo, os seus filmes constituem alguns dos mais preciosos retratos (documentos?) desta China em mutação. As suas obras fixam os efeitos de uma mudança que o próprio apelidou de canibalística (“It's almost like China is eating its tail. It's going forward, but what it gets in return is disproportionate to what it loses”). A sua câmara fixa esses momentos, essa realidade que encompassa passado e futuro, as nostalgias e as dúvidas daqueles que, como os protagonistas de Plataforma, parecem ficar a ver o comboio do “progresso” passar sem saber como embarcar nele.
Deixo aqui uma entrevista ao autor em duas partes, na qual ele se refere a Plataforma. Para abrir o apetite para o (re)visionamento do filme dia 23:
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Já em cartaz: Década dos Zeros - lista B
Entre os dias 21 e 30 de Abril, a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas vai receber o ciclo da década: 15 filmes dos últimos anos zero que os 15 zeros à esquerda aqui do burgo consideram que merecem ser resgatados do esquecimento antes que seja tarde demais - e que se rasgue a lista A! A entrada é gratuita e todos, até os que acham que o "cinema morreu" lá para meados dos anos 70, serão bem-vindos.
Programação (em Abril):
Auditório 2 - Torre B
Dia 21 - Gerry (2002) e Mary (2005)
Dia 22 - The Inner Life of Martin Frost (2007) e La frontière de l'aube (2008)
Dia 23 - Zhantai/Plataforma (2000) e Branca de Neve (2000)
Auditório 1 - Torre B
Dia 26 - Bug (2006) e Noite Escura (2004)
Dia 27 - Marie Antoinette (2006) e Tetro (2009)
Dia 28 - The Business of Fancydancing (2002) e Bamako (2006)
Dia 29 - Lady in the Water (2006) e Ghosts of Mars (2001)
Dia 30 - Zidane (2006) e CONFERÊNCIA
O primeiro filme passa sempre às 18h e o segundo às 21h, mas no dia 30 o filme "Zidane" começa às 17h, terminando às 18h30. Depois do "coffee break", às 18h40, começa a conferência, que terá a duração de uma hora e vinte minutos. É melhor virem, não vá o diabo tecê-las...
O Zero do Telescópio
domingo, 4 de abril de 2010
...um zero “alterNativo”

A propósito da escolha de um filme da primeira década do século passado e de acordo com os meus interesses actuais, proponho que recordemos James Young Deer, um dos primeiros nativo-americanos a obter reconhecimento enquanto realizador, em toda a História do cinema. Assim, a curta-metragem White Fawn’s Devotion (1910) é a minha sugestão. O que se destaca deste pequeno filme é, sobretudo, a densidade da história e a abordagem, pouco comum à época, do tema do casamento entre colonizadores e mulheres nativas. Ainda mais interessante será fazer o paralelismo entre esta curta-metragem e a visão de Sherman Alexie, autor do filme The Business of Fancydancing (que passará no ciclo) no sentido de se atentar na evolução da imagem do “índio” e na sua complexificação.
quinta-feira, 1 de abril de 2010
1 Zero à Esquerda + 1 Filme = Segundo de Chomón

Nasci com o sol na constelação do Touro naquela terra que antigamente era conhecida como o “bel paese”. Já completei 29 revoluções orbitais, mas somente há cinco é que me encontro em Portugal. Estou a frequentar o doutoramento em Cinema na Universidade Nova de Lisboa tentando de conciliar a teoria com a prática. Em 2009 realizei um pequeno documentário (Canto da Terra d'Água) e espero continuar no árduo ofício do cinema.
O autor da primeira década do século XX que proponho é Segundo de Chomón: artesão e conhecedor dos segredos da luz e da película, talento poliédrico que impulsionou o cinematógrafo para o Olimpo da arte. Realizador, director da fotografia, mestre em efeitos especiais, Segundo de Chomón foi um dos principais pioneiro do género fantástico (mas o que era então o cinema senão o mundo do maravilhoso?), do cinema de ficção cientifica, histórico e cómico inventando e desenvolvendo as mais diversas técnicas cinematográficas. Entre os seus numerosíssimos filmes escolhi Satan s'amuse (1907) pela riqueza dos truques que põe em cena e sobretudo pela experimentação e o domínio que manifesta ao nível cromático.
Francesco Giarrusso
quarta-feira, 31 de março de 2010
Alguém pediu mais um 'zero à esquerda'?
segunda-feira, 29 de março de 2010
e mais um zero: Helena Ferreira

Quanto ao início do século XX, vou subverter já a regra da primeira década e escolher um filme dos anos 1910s, o belíssimo Broken Blossoms (1919) de D. W. Griffith (que, afinal, começou a carreira nos anos 00 do século passado), uma das primeiras representações de uma história de amor inter-racial do cinema (mesmo tendo em conta que o “Yellow Man” foi interpretado pelo americano Richard Barthelmess) e tão mais interessante quanto saiu do mesmo Griffith que nos dera o tecnicamente magnífico mas tematicamente racista Birth of Nation.
domingo, 28 de março de 2010
+ um zero: Marta Fernandes

Ora na continuação da sessão de AA, tenho 32 anos, uma licenciatura em Ciências da Comunicação, um par de pós-graduações e agora um mestrado para terminar. Trabalho em distribuição/produção, na Midas Filmes.
Da primeira década do século XX, o Luís escolheu um western e eu escolho o primeiro filme de ficção científica :) Le Voyage dans la Lune. http://www.youtube.com/watch?v=7Kpnbl3tn58&feature=related#watch-main-area
sábado, 27 de março de 2010
quEm vAi À confErÊnciA
Para a nossa conferência do dia 30 de Abril, das 18:40 às 20:00 no auditório 1, já temos painel confirmado: os críticos de cinema João Lopes e Luís Miguel Oliveira; o realizador e Professor João Mário Grilo e o escritor e Professor Fernando Cabral Martins. A moderação vai estar a cargo da Marta Fernandes.
Confirmamos mais isto: esta sessão de conversa, em torno de tópicos que haveremos de aflorar nos próximos tempos aqui neste espaço, começará depois da exibição de "Zidane" (exibição, perceberam? hihi, que graça qu'a gente tem). Estamos a tratar de arranjar um lanchezito (ou "coffee break" como se diz em bom português) para o intervalo. A ver vamos.


