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segunda-feira, 26 de abril de 2010

Antecipação: Tetro de Francis Ford Coppola

O meu nome é Ana Cabral Martins. Todo o meu percurso académico tem sido pelo caminho do cinema, uma paixão que alimento desde pequena, desde o Dumbo (no Quarteto).
Escolhi Tetro (2009) - segunda incursão de Francis Ford Coppola desde o seu hiato e afastamento de Hollywood - porque o considero um filme maravilhosamente bem concebido e pensado, uma verdadeira lição de cinema que, apesar de tudo, não teve o impacto que mereceria. Ainda para mais, depois da recente visita deste realizador a Portugal (Estoril Film Festival), não conheço melhor maneira de o homenagear do que inserindo um brilhante filme do mesmo neste ciclo de revisitação da primeira década deste século.
Deixo-vos com um pequeno aperitivo para o dia de amanhã!


segunda-feira, 19 de abril de 2010

zeromathon

Qu'est-ce que c'est le cinèma?





Philippe Garrel . 1948

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Sofia Tonicher . 1987

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La Frontière de L'aube . 2008

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C'est une manière de survivre...

segunda-feira, 5 de abril de 2010

O Zero do Telescópio segundo Hergé

O Zero do Telescópio

Já tinha saudades de escrever num blog.
David Pinho Barros, 24 anos, aluno n.º 24891 da FCSH-UNL e cidadão n.º 12918087 da República Portuguesa.
Um filme marcante dos 00s do século passado: As Seen Through a Telescope de George Albert Smith (1900), uma brilhante comédia sobre um peeping tom, em que se pode encontrar aquele que é o primeiro (penso eu) POV close-up shot da História do Cinema.







domingo, 4 de abril de 2010

...um zero “alterNativo”






Chamo-me Joana Rodrigues, tenho 25 anos e sou do Porto. Estou neste momento a terminar o mestrado em Comunicação & Artes na FCSH, com uma dissertação sobre o cinema nativo americano contemporâneo. Após uma intensa licenciatura em Cinema (realização e montagem) na ESTC, tive algumas experiências profissionais em diferentes áreas (guarda-roupa, produção de festivais, assistência de realização, produção, montagem e o que for necessário, que o que me move é o “amor à camisola”), tanto em Portugal como no estrangeiro (EUA).

A propósito da escolha de um filme da primeira década do século passado e de acordo com os meus interesses actuais, proponho que recordemos James Young Deer, um dos primeiros nativo-americanos a obter reconhecimento enquanto realizador, em toda a História do cinema. Assim, a curta-metragem White Fawn’s Devotion (1910) é a minha sugestão. O que se destaca deste pequeno filme é, sobretudo, a densidade da história e a abordagem, pouco comum à época, do tema do casamento entre colonizadores e mulheres nativas. Ainda mais interessante será fazer o paralelismo entre esta curta-metragem e a visão de Sherman Alexie, autor do filme The Business of Fancydancing (que passará no ciclo) no sentido de se atentar na evolução da imagem do “índio” e na sua complexificação.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

1 Zero à Esquerda + 1 Filme = Segundo de Chomón

Nasci com o sol na constelação do Touro naquela terra que antigamente era conhecida como o “bel paese”. Já completei 29 revoluções orbitais, mas somente há cinco é que me encontro em Portugal. Estou a frequentar o doutoramento em Cinema na Universidade Nova de Lisboa tentando de conciliar a teoria com a prática. Em 2009 realizei um pequeno documentário (Canto da Terra d'Água) e espero continuar no árduo ofício do cinema.

O autor da primeira década do século XX que proponho é Segundo de Chomón: artesão e conhecedor dos segredos da luz e da película, talento poliédrico que impulsionou o cinematógrafo para o Olimpo da arte. Realizador, director da fotografia, mestre em efeitos especiais, Segundo de Chomón foi um dos principais pioneiro do género fantástico (mas o que era então o cinema senão o mundo do maravilhoso?), do cinema de ficção cientifica, histórico e cómico inventando e desenvolvendo as mais diversas técnicas cinematográficas. Entre os seus numerosíssimos filmes escolhi Satan s'amuse (1907) pela riqueza dos truques que põe em cena e sobretudo pela experimentação e o domínio que manifesta ao nível cromático.

Francesco Giarrusso

Satan s'amuse (Segundo de Chomón, 1907)

quarta-feira, 31 de março de 2010

Bem, já que falei disto...



Isto e muito mais, aqui.

Alguém pediu mais um 'zero à esquerda'?



Sim, sem explicação plausível, agora o texto já não está sublinhado e azul. Não, não percebo mesmo como, nem porquê - mas estou a considerar seriamente em tornar-me ciber-agnóstico.
O filme da 'primeira década dos zeros com cinema dentro' que quero hoje homenagear não é o da icónica imagem que escolhi, e só não o é porque 'Les Vampires' é de 1915; como tenro ciber-agnóstico que sou, não consegui encontrar nenhuma imagem para 'La Légende de la Fileuse', um dos cinquenta mil filmes que Louis Feuillade realizou em 1908, mas o mais belo dos (poucos) que conheço. Não partilha da mesma elasticidade técnica que fez do autor um claro precursor para o que Lang, Hitchcock, Torneur, Welles, e consequentes 'briandepalmas' viriam a querer fazer, aproximando-se mais do 'teatro filmado' com câmara no ponto de vista da audiência que em 1908 já havia sido solucionado e ultrapassado, inclusive pelo próprio. No entanto não falta criatividade nesta transposição para a tela do mito clássico grego de Aracne, uma mortal que através da sua virtuosidade despertou a furiosa inveja da deusa Atena; o resultado último da ira da deusa foi a transformação de Aracne em aranha - ilustrando o refinado humor negro que os deuses gregos possuíam, já que a jovem era uma reputada bordadeira... A sequência final do filme, que convoca uma descida às profundezas do mar, provavelmente instituindo o primeiro ponto de vista submarino, faria Mélies curvar-se por respeito perante Feuillade, e oferecer-lhe prazeres orais por três meses. Já agora, pode ser impossível de o provar, mas eu seria capaz de jurar que o clímax do 'The Life Aquatic with Steve Zissou' invoca precisamente essa sequência...

Bom, acrescento apenas que esta escolha é sentimental. Se quiser ser mais rigoroso e objectivo, ou mais rigorosamente objectivo, talvez declarasse 'A Corner in Wheat', o filme de 1909 do timoneiro D.W. Griffith, como o grande filme da 'primeira década dos zeros com cinema dentro'. É um filme que institui a montagem dialética que viria a ser a pedra-de-toque da Revolução Russa (a do cinema, claro). Conta uma história de opressão dos pobres camponeses exercida pelo rico latifundiário que quase parece uma rábula orwelliana - e se fosse realizado 30 ou 40 anos mais tarde, o Elia Kazan iria bufar mais que uma gaita de foles...
Mas mais que tudo isto, é a própria beleza inerente a cada 'quadro' que me comove e arrasa. O cuidado na composição de cada plano, o meticuloso convite à leitura objectiva sobreposta à lírica, o realismo duro que ombreia com a inevitável poesia que contagia todos os planos rurais, como na pintura de Courbet... Não foram só os russos que desta água beberam - de Ford a Van Sant, de Mizoguchi a Tárr: todos exibem no seu ADN provas que o seu olhar passou por aqui.



segunda-feira, 29 de março de 2010

e mais um zero: Helena Ferreira


Sou estudante, alumna da FCSH agora na diáspora para aprofundar os estudos sobre “cousas da China” em terras de Sua Majestade. Por Portugal vou assinando algures pela “rede” alguns textos sobre (a dita) sétima arte – mais fruto de cinefilia que de academia. É nessa condição de fervorosa cinéfila que me debruçarei aqui sobre uma obra de um dos grandes da década – e que por acaso vem daquele país grande na Ásia.
Quanto ao início do século XX, vou subverter já a regra da primeira década e escolher um filme dos anos 1910s, o belíssimo Broken Blossoms (1919) de D. W. Griffith (que, afinal, começou a carreira nos anos 00 do século passado), uma das primeiras representações de uma história de amor inter-racial do cinema (mesmo tendo em conta que o “Yellow Man” foi interpretado pelo americano Richard Barthelmess) e tão mais interessante quanto saiu do mesmo Griffith que nos dera o tecnicamente magnífico mas tematicamente racista Birth of Nation.

domingo, 28 de março de 2010

+ um zero: Marta Fernandes


Ora na continuação da sessão de AA, tenho 32 anos, uma licenciatura em Ciências da Comunicação, um par de pós-graduações e agora um mestrado para terminar. Trabalho em distribuição/produção, na Midas Filmes.
Da primeira década do século XX, o Luís escolheu um western e eu escolho o primeiro filme de ficção científica :) Le Voyage dans la Lune. http://www.youtube.com/watch?v=7Kpnbl3tn58&feature=related#watch-main-area

domingo, 21 de março de 2010

Zero à esquerda: Luís Mendonça


Tenho 24 anos, sou licenciado em comunicação social e candidato ao desemprego no mestrado de Cinema e Televisão na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. Penso que este ciclo e conferência poderão produzir uma conversa descontraída e interessante no espaço, por vezes, excessivamente "academizado" da faculdade.

Da primeira década do século passado, lembro-me de ter visto muito pouco, mas há um filme que se destaca: "The Great Train Robbery" (1903). Um western já muito completo, com um assalto a um comboio, perseguição aos bandidos e, se bem me recordo, algum "fist fight". O mais memorável é o seminal plano frontal do xerife a disparar contra o espectador - uma imagem-choque que haveria de ser retomada por diversos realizadores, entre eles e mais brilhantemente, por Tarantino ("Pulp Fiction") e Scorsese ("Goodfellas").

Apresentações e rememorações

"The Asphalt Jungle" de John Huston

Tenham isto como um pretexto para fazermos as devidas apresentações. Seguindo o modelo de identificação dos presos políticos nas portas de entrada para a prisão de Caxias, sugeria que cada zero à esquerda se apresente (a que vem, por que vem, o que faz, no fundo, quem é) e, se tiver memória para isso ou vontade, recorde um filme que tenha visto datado da primeira década do século XX. Reconheço a dificuldade deste último desafio (facultativo), mas haverá momento mais oportuno que este para se prestar homenagem aos outros anos zero do cinema?

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